Dos anos 60 do século passado a 2026, a forma da sociedade olhar para as mulheres no âmbito de temas como o namoro, o prazer e a relação com o corpo mudou muito… Ou será que mudou? Esta foi uma das questões que marcou a reflexão em que os elementos do Projeto Estúdio participaram ontem, ao assistirem a uma apresentação de “CARTA. 65 anos depois da Carta a Uma Jovem Portuguesa”, com a atriz Graça Ochoa, no Convento São Francisco.
Olhar para o passado como forma de interpelar o presente não é um exercício novo para aquele grupo de teatro da APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra, que já por várias vezes recorreu a esse mecanismo na construção das suas criações. O período particular da ditadura do Estado Novo esteve também já sob o olhar do coletivo, por exemplo quando visitou uma exposição sobre eleições para a Assembleia Constituinte de 1975. Mas este espetáculo, que convoca aquele tempo histórico a partir de uma perspetiva feminina e feminista, abriu sem dúvida outras possibilidades criativas, mas não só.
É que, ao verem confrontado o passado e o presente da condição feminina nesta “CARTA”, os membros do Projeto Estúdio enfrentaram também histórias e até preconceitos pessoais. E assim, recolheram ainda contributos para “Insurgente”, o programa que vão desenvolver neste ano e no próximo e que será construído em torno de livros, objetos e gestos que se insurgem, gritam, reclamam e se rebelam.
No percurso do grupo, coordenado pela atriz e professora de teatro Adriana Campos, aquele programa é o sucessor de “É Urgente” (2025), “Uma sombra é para…” (2023 e 2024), “FLORescente” (2022), “Loja de Vender Fi” (2019), “Loja de Vender Poetas” (2018) e “Cem Linhas” (2016).
O teatro é uma das áreas artísticas que constituem uma parte importante da ação da APCC enquanto promotora da inclusão social. É desenvolvido tanto através de dinâmicas no campo da expressão dramática, como de apresentações a públicos diversos – pelos grupos Projeto Estúdio e Sala T.



