Não podia ter acabado de melhor forma o Dia Mundial do Teatro, que se assinalou mais uma vez na passada sexta-feira: com a estreia de “96 Decibéis” e a Sala Laborinho Lúcio da Oficina Municipal do Teatro cheia e sedenta para saber como o amor pode ser o maior ato de resistência num mundo em ruínas. E com os 5ª Punkada e Victor Torpedo como banda sonora, porque, afinal, no meio de tanto ruído ainda somos bem capazes de nos apaixonar…
Se em palco esteve uma história febril sobre as relações cruzadas entre quatro amigos, para a APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra não se tratou de algo menos intenso: pela música ao vivo interpretada pela banda pop/rock fundada na instituição, mas também pela partilha com o parceiro Teatrão, anfitrião e criador (com a Terra Amarela) deste espetáculo visceral e emocional.
E depois de lida a mensagem do Dia Mundial do Teatro – este ano escrita por Willem Dafoe – com uma reflexão sobre a importância do teatro perante o isolamento provocado pelos ecrãs e a crescente polarização política, foi apropriado que tenha ainda havido tempo para o convívio entre atores, músicos, público e todos os demais que ajudaram a que tivesse acontecido teatro… e vida! Um feito que se se repetirá até final de abril, com “96 Decibéis” a fazer temporada até ao dia 26, com sessões para público geral e para escolas.
Os bilhetes estão à venda no local uma hora antes de cada sessão, nos postos Ticketline ou online através de tinyurl.com/96Decibeis. Com encenação de Marco Paiva e texto de Alex Casal, este é um espetáculo pensado para todos a partir dos 14 anos.
Trata-se de uma das muitas áreas de atividade e intervenção do “Mais”, um projeto de formação artística para a profissionalização de artistas S/surdos e com deficiência. Promovido pelo Teatrão, tem como parceiros a APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra, a Terra Amarela, a Omnichord (editora dos 5ª Punkada), a ACAPO, o Agrupamento de Escolas Coimbra Centro, o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, o Grupo de Trabalho Pessoas com Deficiência da Rede Social de Coimbra e o Plano Nacional das Artes, sendo financiado ao abrigo do programa Centro 2030 – Inclusão pela Cultura da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.
(fotos: Carlos Gomes)



