APCC

Voaram cartas como borboletas, na estreia da “Oficina para Cartas Felizes” do Projeto Estúdio

Para a estreia da “Oficina para Cartas Felizes”, os elementos do Projeto Estúdio levaram lápis de armazenar espanto, cartas – mas seriam de jogar ou para escrever?! – e muitas dúvidas que procuraram esclarecer junto do público. E nas respostas que obtiveram, encontraram muitas frases felizes, tal como tinham imaginado: dar um beijo à mãe antes de adormecer, voar nas asas de uma andorinha, dançar até doerem os pés, cheirar uma flor até desmaiar, passear na praia e ficar com sal nos tornozelos…

Tudo isto aconteceu ontem, na livraria Almedina Estádio, mas não foi naquele momento que terminou… Porque cada um dos participantes naquela oficina-espetáculo foi declarado Escritor de Cartas Felizes, capaz de fazer com que elas voem como borboletas, e viu ser-lhe atribuída a missão de levar consigo uma carta com a frase que escreveu pela sua própria mão, para entregar à primeira pessoa que encontrasse na rua!

Mas estas não foram frases com ponto final também porque haverá nova sessão da “Oficina para Cartas Felizes”, na livraria Faz de Conto, no dia 28 de junho às 11H00. Será, para já, a última oportunidade para assistir a esta nova criação do Projeto Estúdio, inspirada pelo livro “Cartas Felizes”, de Susanna Isern e Daniel Montero Galán.

Trata-se da segunda oficina-espetáculo apresentada por aquele grupo de teatro da APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra no âmbito do programa “É Urgente – uma equação que tem de dar 50”, sucedendo a “Oficina para (Re)ver o Mundo”. Aquele programa nasce da ideia de que é urgente conhecer o mundo, o outro e a nós mesmos, a partir do verso de Eugénio de Andrade «É urgente permanecer», e está inserido nas comemorações dos 50 anos da instituição.

Além das livrarias Almedina Estádio, Faz de Conto e Casa do Castelo, são também parceiros nesta proposta os Ligados às Máquinas (a orquestra de samples da APCC), a editora BOCA, A Escola da Noite, a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, o Convento São Francisco, a Rádio Universidade de Coimbra, o Teatrão e o Teatro Académico de Gil Vicente.

O Projeto Estúdio pretende, desta forma, continuar a experimentar o lugar do livro, da palavra e do espectador enquanto participante, caminho que, sem que o tivesse traçado à partida, tem vindo a marcar a sua atividade. Assim, dá continuidade direta aos programas “Uma sombra é para…” (2023 e 2024) e “FLORescente” (2022), que já o levaram às mesmas livrarias. Do trajeto deste coletivo teatral – que é coordenado pela atriz e professora de teatro Adriana Campos – constam ainda “Cem linhas”, um espetáculo que foi igualmente um livro (2016), e as ‘aberturas’ da Loja de Vender Poetas (2018) e da Loja de Vender FI (2019).

O Projeto Estúdio é um dos dois grupos teatrais em atividade na APCC, no âmbito das diferentes áreas artísticas que constituem uma parte importante da ação da instituição enquanto promotora da inclusão social. O teatro, em particular, é desenvolvido tanto através de dinâmicas no campo da expressão dramática, como de apresentações a públicos diversos.