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Seminário Internacional marcou Dia Nacional da Paralisia Cerebral (e 50 Anos da APCC)

Foi um olhar simultaneamente para o passado, o presente e o futuro: no Seminário Internacional que assinalou o Dia Nacional da Paralisia Cerebral (este ano organizado pela APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra e a Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral), especialistas de Portugal, Espanha e Canadá enunciaram dados, apresentaram visões e partilharam experiências, perante mais de duas centenas de profissionais, pessoas com paralisia cerebral, familiares, representantes de entidades e outras pessoas interessadas.

Após a abertura do Seminário – a cargo de Cristina Soutinho, membro da direção da APCC, que leu também uma mensagem da utente Ana Rita Bulhosa – coube a Daniel Virella introduzir o primeiro tema, apresentando os indicadores relativos a crianças e jovens com paralisia cerebral neste século em Portugal. Depois do coordenador do Programa de Vigilância Nacional, o neuropediatra e diretor clínico do Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral de Coimbra, Olavo Gonçalves, abordou a plasticidade cerebral e a importância da intervenção precoce, encerrando um painel moderado por Alexandra Cabral, também neuropediatra na Associação.

Os trabalhos prosseguiram com Catarina Paiva, coordenadora da Secção de Oftalmologia Pediátrica e Baixa Visão da ULS Coimbra, e Andreia Ramos, terapeuta ocupacional da APCC, a falarem de baixa visão, a partir do trabalho e investigação na área da estimulação visual realizados no Centro de Reabilitação. O painel, com moderação da assistente social da APCC Isabel Matos, terminou com uma intervenção de Ana Eufrásio, mãe de utente da Associação, que apresentou a visão das famílias sobre as políticas sociais no campo da deficiência.

O final da manhã trouxe um momento de grande emoção. Sob o mote “Um Legado: Cuidar com Ciência, Partilhar com Generosidade”, Luís de Mello Borges, um dos mais conceituados neuropediatras portugueses e pioneiro nessa área, foi homenageado e recebeu uma prolongada ovação de todos os presentes. Para a APCC, foi uma ocasião particularmente significativa, dado o envolvimento do médico no quotidiano da instituição desde a fundação e a influência decisiva que teve, enquanto diretor clínico do Centro de Reabilitação, para o modelo de intervenção assente numa abordagem interdisciplinar e centrada na família

A parte científica da tarde esteve reservada aos oradores internacionais. O primeiro a intervir foi Nacho Pérez Figueroa, diretor da Federação ASPACE da Galiza, que abordou um tema com cada vez mais visibilidade: o envelhecimento em pessoas com paralisia cerebral. Este último painel, moderado pela fisiatra Ana Cadete, diretora do Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian, terminou com uma intervenção à distância de Peter Rosanbaum – o reconhecido pediatra, especialista em neurodesenvolvimento e reabilitação, que promoveu uma reflexão em torno da pergunta “Em 2025, como Pensamos, como Falamos e que Ideias Podemos Oferecer às Famílias sobre a Paralisia Cerebral?”

No final de um dia marcado por uma grande troca de ideias, com momentos de pergunta e resposta a fecharem os painéis de discussão, e após de um momento musical por Miguel Amador (também utente da APCC, que foi acompanhado por Davys Moreno e Júlia Azevedo), o encerramento fez-se com a Cerimónia de Comemoração do Dia Nacional da Paralisia Cerebral. Depois de ser exibida uma mensagem em vídeo enviada pela secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão, Clara Marques Mendes, os presidentes da FAPPC e da APCC – respetivamente, Rui Coimbras e Carlos Condesso – agradeceram a presença dos participantes, mas, sobretudo, apelaram ao reforço de políticas públicas que deem respostas verdadeiras às pessoas, para que ideias como a participação plena e a autodeterminação se concretizem na prática.

Feito o balanço de uma longa mas inspiradora jornada, para a APCC ficou em particular o compromisso de fazer desta data um espaço de encontro, de reflexão e de compromisso com o futuro. E a honra por ter podido assinalar também desta forma meio século de respostas inovadoras e de convicção nas capacidades de cada pessoa e na defesa dos seus direitos: esta iniciativa integrou o programa das comemorações dos 50 anos da Associação.

O Seminário Internacional – Dia Nacional da Paralisia Cerebral 2025 contou com o apoio da Câmara Municipal de Coimbra, Rotary Club de Coimbra, Coimpack, Turismo Centro de Portugal e Conservatório de Música de Coimbra.