APCC

Tudo é possível na “Oficina para Descobrir a Parte de Dentro das Coisas” do Projeto Estúdio

Afinal, o que é brincar? Para a pergunta que surgiu quando olharam para dentro do livro “A História do Coco que Aprendeu a Ser Ovo”, os elementos do Projeto Estúdio pensaram primeiro na ideia de Afonso Cruz: brincar é descobrir a parte de dentro das coisas. Mas olharam mais um pouco, ainda mais fundo, bem para dentro daquele livro de Mafalda Santos e Marisa Silva – até surgir uma nova resposta: brincar é descobrir a parte de dentro de nós. Essa (re)descoberta foi feita pela primeira vez em público no passado sábado, na estreia da “Oficina para Descobrir a Parte de Dentro das Coisas”, com a livraria Faz de Conto como anfitriã.

Foi então que palavras formaram frases, frases criaram histórias e histórias se transformaram em coreografias. Que aquele grupo de teatro da APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra guiou os presentes tanto quanto se deixou guiar por eles. E juntos, viajaram por conclusões que se anunciavam (brincar pode ser ver a parte de dentro de um livro), outras mais surpreendentes (podemos ler palavras dentro de cocos) e outras quase filosóficas (existem coisas concretas e abstratas, boas e más, dentro de todos nós).

Foi um momento em que, entre o público, houve quem confessasse ter percebido que tudo é possível e que existem coisas que só podem acontecer num determinado tempo e num determinado lugar. Se esse tempo e esse lugar podem ser uma apresentação do Projeto Estúdio, pode descobri-lo por si próprio, porque “Oficina para Descobrir a Parte de Dentro das Coisas” vai estar em mais duas livrarias parceiras: já hoje na Almedina Estádio Cidade de Coimbra e amanhã e na Casa do Castelo, em ambos os casos com sessões às 10H00 e 11H00, de entrada livre e para todas as idades.

“Oficina para Descobrir a Parte de Dentro das Coisas” é a terceira e última oficina-espetáculo do programa “É Urgente”, que o Projeto Estúdio tem vindo a desenvolver em 2025, sucedendo a “Oficina para (Re)ver o Mundo” e “Oficina para Cartas Felizes”. Aquele programa nasce da ideia de que é urgente conhecer o mundo, o outro e a nós mesmos, a partir do verso de Eugénio de Andrade «É urgente permanecer», e está inserido nas comemorações dos 50 anos da APCC.

São também parceiros nesta iniciativa os Ligados às Máquinas (a orquestra de samples da APCC), a editora BOCA, A Escola da Noite, a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, o Convento São Francisco, a Rádio Universidade de Coimbra, o Teatrão e o Teatro Académico de Gil Vicente.

O Projeto Estúdio pretende, desta forma, continuar a experimentar o lugar do livro, da palavra e do espectador enquanto participante, caminho que, sem que o tivesse traçado à partida, tem vindo a marcar a sua atividade. Assim, dá continuidade direta aos programas “Uma sombra é para…” (2023 e 2024) e “FLORescente” (2022), que já o levaram às mesmas livrarias.

Do trajeto deste coletivo teatral – que é coordenado pela atriz e professora de teatro Adriana Campos – constam ainda “Cem linhas”, um espetáculo que foi igualmente um livro (2016), e as ‘aberturas’ da Loja de Vender Poetas (2018) e da Loja de Vender FI (2019).

O Projeto Estúdio é um dos dois grupos teatrais em atividade na APCC, no âmbito das diferentes áreas artísticas que constituem uma parte importante da ação da instituição enquanto promotora da inclusão social. O teatro, em particular, é desenvolvido tanto através de dinâmicas no campo da expressão dramática, como de apresentações a públicos diversos.