Profissionais de serviço social, familiares e pessoas com deficiência – juntos, enfrentam desafios, partilham vitórias e derrotas, procuram construir um mundo mais solidário e igualitário. E foi juntos que estiveram, na passada quarta-feira, na Quinta da Conraria, para o Encontro “Serviço Social e Deficiência”. Nesta iniciativa organizada pela APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra, falou-se de participação, dignidade e diversidade, sempre com as experiências pessoais e os sentimentos presentes em cada intervenção.
No primeiro painel, Cristina Felizardo (mãe de pessoa com deficiência, assistente social e especializada em aconselhamento no luto) abordou o processo emocional vivido pelas famílias quando a deficiência entra nas suas vidas, falando de medos, raiva, culpa e da necessidade vital de ter mesmo uma ‘aldeia’ de apoio. Clara Cruz Santos (coordenadora do mestrado em Serviço Social da Universidade de Coimbra) trouxe a complexidade de ser mãe de uma pessoa com paralisia cerebral, entre emoções intensas, sublinhando que é possível reescrever histórias. Já José Vitória (pai de utente da APCC) recordou a realidade das famílias há mais de cinco décadas, entre o contexto colonial e o Portugal continental, refletindo ainda sobre o envelhecimento dos cuidadores.
O segundo painel centrou-se nos profissionais de serviço social que trabalham diariamente com pessoas com deficiência e respetivas famílias. Mariana Caiano, aluna do mestrado em Serviço Social do Instituto Superior Miguel Torga, partilhou uma apresentação de Sónia Ribeiro, assistente social e docente daquela escola, sobre os sinais e fatores de risco associados ao burnout, bem como a importância de criar ambientes de trabalho saudáveis. Falou-se ainda do papel estruturante dos assistentes sociais nas instituições e na comunidade e da indispensabilidade de proteger os técnicos para que possam promover, de forma plena, os direitos das pessoas que apoiam.
Numa manhã que contou ainda com intervenções de Suzete Azevedo (vice-presidente da APCC), que abriu o encontro, e de Alexandra Machado, Manuela Espírito Santo e Mara Costa (do Departamento de Serviço Social da Quinta da Conraria), que moderaram e dinamizaram os diferentes momentos de debate, duas ideias percorreram quase todas as intervenções: a importância de se trabalhar melhor nas escolas no sentido da valorização da diversidade e a necessidade de mudar, de forma mais efetiva e célere, o modo como a sociedade encara a pessoa com deficiência.
E foi ainda vincada uma constatação que, não tendo de todo sido o propósito desta iniciativa, acabou por ser partilhada por cada um dos participantes: a relevância do trabalho realizado pela APCC e os seus técnicos, há já 50 anos, no apoio aos utentes e às famílias.
Esta iniciativa foi organizada pelo Departamento de Serviço Social da Quinta da Conraria, que assegura o acompanhamento dos utentes do Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI), do Centro de Atendimento, Acompanhamento e Reabilitação Social para Pessoas com Deficiência (CAARPD) e da Formação Profissional.














