As imagens ganham profundidade, os sons envolvem e, por momentos, são os caminhos da Quinta da Conraria que temos perante nós, estejamos no local que estivermos. Na passada sexta-feira, esse local foi o Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral, onde o projeto “Miragem” se revelou, num cruzamento entre tecnologia e experiência sensorial, a profissionais daquela resposta da APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra e aos parceiros envolvidos.
Foram não só exibidos os vídeos produzidos – curtas-metragens em estereoscopia 3D, que criam a ilusão de profundidade e volume – mas sobretudo a forma como estão já a ser integrados em sessões dinamizadas pelos terapeutas da Associação com utentes do Centro de Atendimento, Acompanhamento e Reabilitação Social para Pessoas com Deficiência (CAARPD) e também do Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI). E ficou evidente o potencial transformador desta proposta em que, mais do que ver, se trata de sentir e participar!
As reações dos presentes confirmaram-no: esta é uma ferramenta com capacidade real para ampliar experiências, criar novas oportunidades terapêuticas e reforçar a ligação à natureza, mesmo quando o corpo impõe limites. A apresentação permitiu perceber como cada detalhe foi pensado para responder a diferentes necessidades e, ao mesmo tempo, fez emergir ideias, sugestões e novas possibilidades de utilização, num sinal claro de apropriação coletiva do projeto e da sua relevância no contexto da intervenção da APCC e até fora da instituição.
O projeto “Miragem – Filmes 3D com experiência multissensorial” nasceu da vontade de aproximar pessoas com multideficiência da natureza e da riqueza sensorial que esta proporciona, ultrapassando limitações motoras, cognitivas ou sensoriais que tornam esses ambientes inacessíveis. Com a combinação de curtas-metragens 3D e sessões multissensoriais, tornaram-se possíveis experiências únicas de exploração, aprendizagem e inclusão, reforçando a ligação com o meio ambiente (desde logo, a Quinta da Conraria) e com os sentidos.
O projeto foi desenvolvido pela APCC, tendo como parceiros as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e o Agrupamento de Escolas Coimbra Centro, e contou com o cofinanciamento do Instituto Nacional para a Reabilitação, ao abrigo do Programa Nacional de Financiamento a Projetos 2025.
Pode saber mais sobre este e outros projetos – em curso ou já terminados – desenvolvidos pela APCC na área Projetos deste site.









