Quando a música é mais do que expressão artística, torna-se também espelho de quem somos e ponte para o encontro com os outros. É nesse território que se inscreve o trabalho dos Ligados às Máquinas, cuja experiência será partilhada por Paulo Jacob, maestro daquela orquestra de samples nascida na APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra, no XVIII Encontro Internacional de Musicoterapia, que vai decorrer já amanhã (15 de novembro), na Universidade Lusíada de Lisboa.
O também musicoterapeuta e professor de música apresentará uma leitura sobre a prática musical enquanto espaço de construção e afirmação da identidade, partindo do exemplo daquele coletivo, surgido do impulso criativo de um grupo de utentes da Associação que partilham a paixão pela música e o desejo de participar na vida cultural da comunidade. A música surge, neste contexto, como mediadora entre o indivíduo, o grupo e a sociedade, revelando o potencial de transformação que existe na prática artística partilhada.
Nesta reflexão, integrada no painel “Terapeuta, pessoa, grupo: percursos identitários”, Paulo Jacob abordará a forma como cada elemento dos Ligados às Máquinas contribui para uma identidade sonora comum, sem perder a singularidade de cada percurso individual. Mas também como o projeto permite a construção de novas narrativas por parte de um grupo de pessoas frequentemente silenciadas ou sub-representadas nos espaços culturais e artísticos.
Promovido pela Associação Portuguesa de Musicoterapia, o XVIII Encontro Internacional de Musicoterapia tem como tema “Narrativas e Identidade”, propondo uma reflexão sobre o papel da música na construção das nossas histórias e na afirmação do eu. Entre comunicações, debates e workshops, o evento reúne profissionais e investigadores de várias áreas para pensar o poder da música em dar voz a diferentes formas de existência.
Os Ligados às Máquinas são um inovador projeto musical de originais, construídos a partir da combinação de amostras sonoras dos mais diversos estilos musicais, formando dessa forma uma verdadeira ‘manta de retalhos sonora’. O grupo constitui a primeira (e provavelmente a única) orquestra de samples em cadeiras de rodas do mundo, tendo editado em 2024 o seu disco de estreia, “Amor Dimensional”, pela Omnichord – pode ouvi-lo nas plataformas digitais ou comprar o vinil através do Bandcamp.
A música é uma das várias áreas do campo artístico dinamizadas na APCC, com quatro grupos atualmente em atividade. No âmbito do Departamento de Música, o trabalho desenvolve-se também através de intervenções ao nível da musicoterapia, educação musical adaptada e expressão musical adaptada.