APCC

Ao visitar “A Fábrica das Sombras”, os membros do Projeto Estúdio encontraram projeções do seu próprio percurso

Não é difícil relacionarmo-nos com uma obra de arte, reagirmos quase instintivamente, seja por aproximação ou afastamento… o que já pode ser menos frequente, é encontrarmos num objeto artístico pontos inescapáveis de contacto com a nossa própria vivência. Mas foi essa experiência que ontem tiveram os elementos do Projeto Estúdio, ao visitar a exposição “A Fábrica das Sombras”, que se constitui como Solo Show em 2025 da Bienal de Arte Contemporânea Anozero.

Conduzidos por Jorge Cabrera e Íris Faria, os membros daquele grupo de teatro da APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra estiverem particularmente atentos aos paralelismos entre as criações da dupla de artistas multidisciplinares Janet Cardiff e George Bures Miller e o trabalho que eles próprios têm vindo a desenvolver, sob a coordenação da professora Adriana Campos: a transposição da arte para locais que não são os que mais habitualmente lhe são associados, a exploração da relação entre a obra e o espaço em que se insere ou a combinação das componentes visual e sonora.

E mesmo habituados a encarar a arte como lugar de interrogação capaz de causar espanto nos espetadores, estes utentes da APCC acabaram também eles espantados em particular pelas similitudes entre uma das peças expostas – “Cabinet of Curiousness” um móvel de madeira em que a abertura de cada gaveta ativa uma voz ou peça musical – e o adereço central da performance Loja de Vender FI, que encenaram em 2019. Podem procurá-las também, até 5 de julho, visitando “A Fábrica das Sombras”, no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova – à semelhança do que já fez um grupo de formandos da Associação.

O Projeto Estúdio desenvolve atualmente o programa “É urgente – uma equação que tem de dar 50” e que parte do verso de Eugénio de Andrade «É urgente permanecer» para, nos 50 anos da APCC, questionar o que é, hoje, urgente e como se permanece em urgência numa casa tão grande – quer se trate do País ou da própria instituição. Neste âmbito, apresentaram já “Oficina para (Re)ver o Mundo” e têm em preparação outras duas oficinas-espetáculo.

O teatro é uma das atividades desenvolvidas na APCC, no âmbito das diferentes áreas artísticas que constituem uma parte importante da ação da instituição enquanto promotora da inclusão social. É desenvolvido tanto através de dinâmicas no campo da expressão dramática, como de apresentações a públicos diversos.