APCC

“96 Decibéis” é o volume certo para os 5ª Punkada, em parceria com Teatrão e Terra Amarela

Sons que remetem para canções antigas dos 5ª Punkada e outros totalmente novos, evocativos de uma história ainda em construção: foi esta a banda sonora da manhã de ontem, na sala de ensaio da banda pop/rock da APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra. E muito e promissor material resultou deste que foi apenas o arranque de uma residência de criação musical para “96 Decibéis”, uma peça da companhia de teatro Terra Amarela, no âmbito de um novo projeto do Teatrão, a estrear em breve!

Nesta primeira sessão, participaram já o músico Victor Torpedo (convidado nos dois discos de originais dos 5ª Punkada e parceiro habitual em palco) e o encenador Marco Paiva, mas também o dramaturgo Alex Cassal se juntará, entretanto, aos trabalhos. Assim se criará um espaço de experimentação e partilha, cujo resultado será uma componente essencial de “96 Decibéis”, que se assume como um cruzamento entre o teatro e a música.

Este espetáculo é uma das muitas áreas de atividade e intervenção de um ambicioso projeto promovido pelo Teatrão, denominado “MAIS”. Trata-se de uma iniciativa dirigida às práticas artísticas para a profissionalização de artistas S/surdos e com deficiência, que tem como parceiros – além da APCC e da Terra Amarela – a Omnichord (editora dos 5ª Punkada), o Agrupamento de Escolas Coimbra Centro, o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e o Teatro Valacar (Espanha).

Os 5ª Punkada acrescentam, desta forma, mais uma linha num currículo já extenso de colaborações artísticas com instituições e coletivos de referência – em que consta uma outra também em desenvolvimento, com a Orquestra Clássica do Centro, no âmbito do projeto “Confia – Fazer da Inclusão uma Arte”, que pretende afirmar a cultura como uma ferramenta essencial para o exercício pleno da cidadania e envolve músicos profissionais, crianças e jovens em situação de acolhimento, comunidades migrantes e pessoas com deficiência.

O grupo – atualmente constituído por Fausto Sousa, Fátima Pinho, Jorge Maleiro, Miguel Duarte e Paulo Jacob – foi formado na APCC há 32 anos e conta com mais de 300 atuações ao vivo em Portugal e no estrangeiro. É um dos quatro coletivos em atividade na Associação, cuja intervenção na área da música abrange a musicoterapia, a educação musical adaptada e a expressão musical adaptada.