Se lhe passassem para a mão um lápis capaz de armazenar espanto, o que faria com ele? Esta é uma das muitas coisas surpreendentes que acontecem em “Oficina para Cartas Felizes”, a nova criação do Projeto Estúdio, que vai estrear no próximo dia 24 de junho, na livraria Almedina Estádio. Desta feita, aquele grupo de teatro da APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra vai buscar inspiração ao livro “Cartas Felizes”, de Susanna Isern e Daniel Montero Galán, para desafiar mais uma vez o público a fazer parte da performance.
Nesta apresentação, que terá início às 10H30, os elementos do Projeto Estúdio irão convidar os clientes da livraria, ou quem ali se desloque para assistir a esta oficina-espetáculo, a escrever as suas próprias cartas felizes. E ao fazê-lo, a questionar as suas certezas sobre o que é, afinal, a felicidade, a beleza ou a liberdade. A “Oficina para Cartas Felizes” será ainda posteriormente apresentada na livraria Faz de Conto, às 11H00 do dia 28 de junho.
Esta é a segunda criação do Projeto Estúdio no âmbito do programa “É Urgente – uma equação que tem de dar 50”, que o grupo está a desenvolver ao longo deste ano, sucedendo a “Oficina para (Re)ver o Mundo”. Aquele programa nasce da ideia de que é urgente conhecer o mundo, o outro e a nós mesmos, a partir do verso de Eugénio de Andrade «É urgente permanecer», e está inserido nas comemorações dos 50 anos da APCC.
São também parceiros nesta proposta a livraria Casa do Castelo, os Ligados às Máquinas (a orquestra de samples da APCC), a editora BOCA, A Escola da Noite, a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, o Convento São Francisco, a Rádio Universidade de Coimbra, o Teatrão e o Teatro Académico de Gil Vicente.
O Projeto Estúdio pretende, desta forma, continuar a experimentar o lugar do livro, da palavra e do espectador enquanto participante, caminho que, sem que o tivesse traçado à partida, tem vindo a marcar a sua atividade. Assim, dá continuidade direta aos programas “Uma sombra é para…” (2023 e 2024) e “FLORescente” (2022), que já o levaram às mesmas livrarias.
Do trajeto deste coletivo teatral – que é coordenado pela atriz e professora de teatro Adriana Campos – constam ainda “Cem linhas”, um espetáculo que foi igualmente um livro (2016), e as ‘aberturas’ da Loja de Vender Poetas (2018) e da Loja de Vender FI (2019).
O Projeto Estúdio é um dos dois grupos teatrais em atividade na APCC, no âmbito das diferentes áreas artísticas que constituem uma parte importante da ação da instituição enquanto promotora da inclusão social. É desenvolvido tanto através de dinâmicas no campo da expressão dramática, como de apresentações a públicos diversos.