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APCC

No encontro entre Projeto Estúdio, declAMAR Poesia e TAGV, a poesia revelou-se como insurgência

Haverá algo mais insurgente do que a palavra? Talvez o gesto? E se um e outro confluírem no propósito de insurgir? Dito isto, tudo isto, haverá local mais insurgente do que um teatro, espaço por excelência para o seu encontro? Depois de se colocarem estas e outras questões, os elementos do Projeto Estúdio, numa colaboração com o coletivo declAMAR Poesia, propuseram-se encontrar respostas, guiando uma “Visita Poética Insurgente” ao Teatro Académico de Gil Vicente.

Aconteceu na passada segunda-feira: a porta de vidro do TAGV abriu e os pés e as rodas das cadeiras como que saíram do chão, percorrendo palco e bastidores, escutando poemas ou vendo-os ganhar outras formas na parede, escrevendo frases na longa folha branca. E porque a poesia é para ser dita, até gritada, interpretada e reinterpretada, escolhida ou descoberta e, evidentemente, declamada, foram muitas as formas encontradas pelo grupo de teatro da APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra de, com o público, se insurgir dentro dela.

O convite era para voltar a pôr etiquetas nas coisas, arrumar as máquinas, acordar as infâncias, tirar o pó ao futuro, duplicar os beijos e ampliar os gestos, mas não foi difícil que, do diálogo entre criadores, intérpretes e espetadores/participantes, resultassem outras ações plenas de insurgência. Porque afinal, pode olhar-se para o título “Visita Poética Insurgente” como sendo composto por três sinónimos.

A “Visita Poética Insurgente” fez parte do programa da Festa da Praça da República, organizada pelo TAGV para ser um lugar de encontro entre criação artística, memória, espaço público e vizinhança. Foi também a primeira apresentação do Projeto Estúdio no âmbito do seu programa “Insurgente”, iniciado este ano e que apresenta um conjunto completo de ações em torno de livros, objetos e gestos que se insurjam.

Sendo um dos dois grupos teatrais atualmente em atividade na APCC, o Projeto Estúdio já desenvolveu, sob a coordenação da atriz e professora de teatro Adriana Campos, os programas “É Urgente” (2025), “Uma sombra é para…” (2023 e 2024), “FLORescente” (2022), “Loja de Vender Fi” (2019), “Loja de Vender Poetas” (2018) e “Cem Linhas” (2016).

O teatro é uma das áreas artísticas que constituem uma parte importante da ação da APCC enquanto promotora da inclusão social. É desenvolvido tanto através de dinâmicas no campo da expressão dramática, como de apresentações a públicos diversos.