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APCC

Utentes da APCC já praticam jiu-jitsu: parceria com ISBJJA leva participação até ao tatami

Oss, montada, raspagem, pega, guarda, tatami… estas são algumas das expressões do jiu-jitsu brasileiro que, desde ontem, passaram a ser familiares para um grupo de utentes da APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra, que iniciou as primeiras sessões daquela arte marcial na instituição. Foi o arranque do projeto “100 Limites”, desenvolvido com a International Sports Brazilian Jiu-Jitsu Association (ISBJJA) e pensado para abrir novas oportunidades de desenvolvimento físico, emocional e social através da prática desportiva.

E já neste primeiro treino ficou claro o potencial desta experiência: movimentos simplificados, técnicas adaptadas e um ambiente seguro permitiram explorar força, equilíbrio e coordenação, sempre ao ritmo de cada participante. Com a prática regular da modalidade, perspetivam-se melhorias naqueles campos, mas também ganhos na autoestima, autonomia e interação social, promovendo um maior sentido de pertença e a superação de desafios.

As sessões – em que estão envolvidos utentes do Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) e do Centro de Atendimento, Acompanhamento e Reabilitação Social para Pessoas com Deficiência (CAARPD) – são conduzidas pelo professor Rómulo de Luca, cedido pela ISBJJA, e permitirão perspetivar a criação de uma verdadeira equipa de jiu-jitsu exclusiva para pessoas com deficiência física e mental. A aposta nesta arte marcial ganha particular relevância pela dimensão educativa e emocional associada à modalidade, com valores como o respeito, a concentração, a resiliência e a disciplina a serem centrais a toda a atividade.

O projeto “100 Limites” resulta de uma colaboração entre a APCC e a ISBJJA, impulsionada por Ricardo Veloso, precursor das artes marciais na cidade de Coimbra e mentor da iniciativa. Esta parceria promove uma inclusão ativa através do desporto adaptado, amplia o acesso à prática desportiva e fortalece a valorização da pessoa com deficiência na comunidade, contribuindo para uma cultura de respeito, igualdade e participação plena. Tem o apoio da Escola Mondego Jiu-Jitsu (que ofereceu os kimonos) e da Coimbra MMA (no apoio logístico).

O CACI e o CAARPD são duas das respostas sociais da APCC sediadas na Quinta da Conraria. A primeira pretende promover a autonomia, a vida independente e a valorização pessoal, enquanto a segunda apoia pessoas que, transitória ou definitivamente, se encontram impossibilitadas de frequentar outro tipo de estruturas.